Letra
Eu nasci com um aperto no peito Sem saber de onde vinha a dor No quintal, eu via um rosto De um retrato antigo, sem cor Minha avó dizia em segredo Tem coisa que o tempo não apaga E eu sonhava com botas no barro Com sirene rasgando a madrugada Na janela, a chuva caía E eu sentia alguém me chamar Como se a vida me chamasse Pra um lugar que eu ia lembrar Eu lembro da lua Da noite, do frio Eu lembro do mato Do escuro sombrio Eu lembro do medo No olhar do inimigo E o que aconteceu É o que foi o esquecido Na esquina, o rádio falava De países partidos ao meio E eu fechava os olhos, de novo Vendo fogo riscando o celeiro Uma moça de vestido azul Me chamava sem saber meu nome Matava minha sede com água Me dava comida, matava minha fome E cada porta que eu abria Tinha a sombra de outro lugar Como se a alma, cansada, soubesse Que ainda tinha que atravessar Eu lembro da lua Da noite, do frio Eu lembro do mato Do escuro sombrio Eu lembro do medo No olhar do inimigo E o que aconteceu É o que foi o esquecido Quando a noite entra na janela Eu escuto passos no quintal Não é assombro, não é fantasma É só memória ancestral Se a vida me veste outra vez Eu aceito sem recuar Porque há dores que vêm de longe Só pra ensinar a voltar Eu lembro da lua Da noite, do frio Eu lembro do mato Do escuro sombrio Eu lembro do medo No olhar do inimigo E o que aconteceu É o que foi o esquecido Eu lembro, eu lembro E agora eu sei A guerra passou Mas eu fiquei
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